O Brasil continua ocupando posições baixas no cenário mundial da educação. Os resultados do Pisa 2025 (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) mostram que o país ficou em 71º lugar em matemática, 67º em ciências e 52º em leitura, considerando cerca de 90 países e economias avaliados em cada área.
Aplicado a estudantes de 15 anos, o Pisa é coordenado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e contou, nesta edição, com a participação de 91 países e economias.
A situação mais preocupante do Brasil aparece em matemática. Com 377 pontos, o país ocupou a 71ª posição entre 89 participantes com resultados disponíveis, ficando na parte inferior do ranking mundial.
Na comparação regional, o desempenho brasileiro também chama atenção. Entre os países da América do Sul citados nos resultados, o Brasil ficou atrás de Uruguai, Chile, Peru e Colômbia em matemática. Argentina e Paraguai tiveram resultados inferiores. O país também ficou atrás de México e Costa Rica, que pertencem à América Latina, mas não à América do Sul.
Em ciências, área principal da avaliação de 2025, o Brasil alcançou 409 pontos e ficou na 67ª colocação entre 90 países e economias. Foi o melhor resultado relativo brasileiro entre matemática e ciências, mas ainda distante das primeiras posições mundiais. O Brasil apareceu empatado com o Azerbaijão e imediatamente à frente de Jordânia e Peru.
Já em leitura, o país conseguiu sua melhor colocação entre as três áreas tradicionais. Foram 408 pontos, colocando o Brasil em 52º lugar entre 89 participantes, empatado com México e Albânia.
Apesar das posições baixas, a OCDE considera que as notas brasileiras permaneceram estatisticamente estáveis em relação a 2022. Isso significa que a mudança de posição no ranking não representa necessariamente uma piora da aprendizagem. A edição de 2025 também contou com mais participantes, passando de 81 países e economias em 2022 para 91 em 2025.
A estabilidade, porém, acontece em um patamar considerado baixo. Quase metade dos estudantes brasileiros, 43,8%, ficou abaixo do nível mínimo de proficiência simultaneamente em matemática, leitura e ciências. Na média dos países da OCDE, esse percentual foi de 19,7%.
No outro extremo, apenas 1,8% dos estudantes brasileiros apresentaram alto desempenho em pelo menos uma das três áreas, enquanto a média da OCDE chegou a 11,9%.
Os números mostram, portanto, que o Brasil permanece distante dos países com os melhores sistemas educacionais avaliados pelo Pisa. Em matemática, por exemplo, 70 países e economias ficaram à frente do Brasil. Em ciências, foram 66, enquanto em leitura o país teve 51 participantes à sua frente.
Entre os destaques internacionais aparecem Singapura e regiões chinesas, além de países e economias como Japão, Coreia do Sul, Estônia, Macau e Taiwan.
Pela primeira vez, o Pisa também avaliou a capacidade dos estudantes de resolver problemas utilizando ferramentas computacionais, incluindo recursos relacionados à modelagem e programação. Nessa avaliação, o Brasil alcançou 406 pontos, contra média de 500 pontos da OCDE.
Os resultados reforçam um problema que não começou com a pandemia. Segundo a OCDE, a perda de desempenho educacional observada internacionalmente já vinha sendo registrada antes da Covid-19. No caso brasileiro, o Pisa 2025 mostra que, embora não tenha ocorrido uma piora estatisticamente significativa em relação à edição anterior, o país continua estagnado há aproximadamente uma década em um nível baixo de aprendizagem e distante das principais referências mundiais.


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