Moradora de Timon (MA), a professora de jornalismo Thamyres Sousa percorre mais de 600 quilômetros por semana para dar aulas na Universidade Estadual do Piauí (Uespi), em Picos. Há cerca de oito anos, ela enfrenta viagens de até seis horas para manter a rotina como docente.
No Dia do Professor, celebrado nesta quinta-feira (15), o g1 conversou com Thamyres. Ela contou que a mãe, hoje aposentada, também foi professora e serviu de inspiração para a trajetória profissional.
"Sinto muito orgulho de estar com ela nos espaços e vê-la sendo identificada por ex-alunos e por mães de ex-alunos", comentou.
Segundo Thamyres, a rotina exigiu renúncias na vida pessoal. Mesmo assim, o apoio da família, dos amigos e dos alunos ajuda a enfrentar as viagens frequentes.
"Teve algumas situações em que eu precisava estar na minha cidade e estava em Picos, trabalhando. Isso me gerou medo, porque aí eu percebi o quanto é difícil conciliar essa rotina, que é dupla e muitas vezes tripla. Eu senti dificuldade e eu senti medo. Os professores também têm medo", compartilhou.
"Mas eu sinto que até nesses momentos eu fui super acolhida pela minha família e alunos também. E isso eu acho que me revigora", disse ela.
Para Thamyres, ver o crescimento dos alunos é uma das maiores recompensas da profissão.
"O que mais me motiva a estar em sala de aula são os relatos que eu escuto dos meus alunos. Fico superanimada quando vejo eles sendo premiados, no mercado de trabalho, se destacando, desenvolvendo um trabalho com responsabilidade social. Quando eu vejo essas pessoas tendo suas vidas, as vidas de sua família sendo reconstruídas, tendo oportunidade de vivenciar espaços que, outrora, as pessoas nunca imaginaram ocupar, eu sinto que vale a pena ser professora", finalizou.
Fonte de inspiração

Thamyres Sousa, afirma que a mãe, também professora, foi sua maior inspiração para seguir a carreira docente.
Maria Izabel lecionou nas redes pública e privada de ensino em Teresina e influenciou a escolha profissional da filha.
"O ensinamento que eu levo da minha mãe para a docência é o compromisso. É uma profissão em que a gente não tem a valorização que é necessária, salário infelizmente ainda não é compatível com a jornada de trabalho. Estamos suscetíveis a problemas psicológicos. O aluno de 10 anos atrás, quando eu comecei a dar aula, é um aluno diferente do aluno que eu dou aula hoje. Isso exige que você como profissional se reposicione sempre", refletiu Thamyres.
Hoje aposentada, Maria Izabel também mostrou à filha os desafios da profissão. Thamyres contou que, quando criança, nem sempre foi fácil lidar com a rotina da mãe, que costumava levar trabalho da escola para casa.
"Ela comenta que eu dizia que eu queria ser professora, mas eu não queria ser professora de menino pequeno, porque na época, como ela dava aula na educação básica, eu tinha que dividir a atenção dela com outras crianças, percebia que ela levava muito trabalho para casa", comentou ela.
Apesar disso, Thamyres afirmou que a mãe sempre esteve presente nos momentos mais importantes da carreira, como palestras, eventos acadêmicos e na posse como professora efetiva da Uespi.
"No meu trabalho, nos meus esforços, ela está presente em todas as etapas da minha vida profissional, da minha vida acadêmica, ela sempre está ali me incentivando. Sinto muito orgulho de estar com ela nos espaços e vê-la sendo identificada por ex-alunos e por mães de ex-alunos", descreveu Thamyres.
Natural de Teresina, Thamyres mora em Timon (MA). Mestre em comunicação, ela viaja para Picos todas as quartas-feiras e retorna para casa às sextas, rotina que mantém há cerca de oito anos. Além das aulas na Universidade Estadual do Piauí (Uespi), a professora cursa doutorado na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).



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