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  19:28

Passada a eleição, facções voltam a ditar o ritmo da violência no Ceará com sequência de mortes

 Vítimas de Sobral (fotos maiores), de Guaraciaba do norte (camisa preta) e São Benedito (foto preta e branco)

O período eleitoral foi marcado por uma aparente trégua na violência no estado do Ceará, um dos estados mais violentos do Brasil. O estado concentra municípios entre os mais violentos do país, e a atuação das facções criminosas foi um dos temas centrais da disputa pelo Governo do Estado.

Durante a campanha, o governo chegou a comemorar a redução dos assassinatos, destacando períodos de 24 horas sem registros de homicídios. Entretanto, passado o pleito eleitoral, uma sequência de crimes voltou a rotina para a população cearense, com assassinatos registrados em diferentes municípios.

SEQUÊNCIA DE CRIMES

Na terça-feira (13), duas irmãs, de 15 e 17 anos, foram encontradas mortas com as mãos amarradas em uma estrada vicinal no município de Tauá, no interior do Ceará. As adolescentes haviam sido retiradas de casa por criminosos que se passaram por policiais.

Segundo informações divulgadas pelo g1, uma das linhas de investigação relaciona o duplo homicídio a conflitos entre facções criminosas. As vítimas teriam ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e estariam se aproximando do Comando Vermelho (CV). Uma delas também teria mantido relacionamento com um integrante de facção criminosa. 

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Ainda na terça-feira, Antônio Wellington Alves Pires, de 27 anos, foi preso por suspeita de envolvimento no duplo homicídio. Ele foi capturado em Tauá, mesmo município onde os corpos das adolescentes foram encontrados.

Também na madrugada de terça-feira, José Aureliano de Sousa Faria, conhecido como "Caçaco", de 38 anos, foi morto a tiros após ter a residência invadida por seis homens encapuzados.

O crime aconteceu no bairro Jardins, nas proximidades da Câmara Municipal de Guaraciaba do Norte, na Serra da Ibiapaba.

Conforme relatos de familiares que estavam no imóvel, os suspeitos deixaram um veículo em um loteamento próximo e seguiram a pé até a residência. Ao chegarem ao local, teriam cercado a casa, arrombado as portas e desligado a chave geral de energia de algumas residências da região. Os familiares também teriam sido rendidos durante a ação.

Aureliano foi atingido por diversos disparos de arma de fogo e morreu no local.

Nesta quinta-feira (15), outros dois jovens foram assassinados a tiros enquanto trafegavam de motocicleta pela BR-222, nas proximidades do acesso à CE-179, rodovia que liga Sobral a Groaíras, próximo ao posto da Polícia Rodoviária Federal.

As vítimas foram identificadas como Rhuan Matheus e Isaac Ily Mesquita Nogueira Pontes, de 19 anos. Segundo a imprensa local, os rapazes retornavam para suas residências, no bairro Sinhá Sabóia, após saírem do trabalho em uma fábrica de calçados localizada no Distrito Industrial de Sobral.

Os disparos teriam sido efetuados por criminosos que também estavam em uma motocicleta.

Ainda na manhã desta quinta-feira, outro jovem de 19 anos, identificado como Antônio Kauan Moraes Rodrigues, foi morto a tiros dentro da própria residência, na cidade de São Benedito, na Serra da Ibiapaba.

Segundo a Polícia Militar, por volta das 5h45, uma equipe foi acionada para atender a uma ocorrência de disparos de arma de fogo. Conforme relato da companheira da vítima aos policiais, aproximadamente quatro indivíduos teriam invadido a residência e efetuado vários disparos contra Antônio Kauan, que foi encontrado sem vida em um dos quartos do imóvel.

Ainda segundo o relato, a vítima teria ligação com a facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP), informação que não foi confirmada oficialmente pelas autoridades.

VIOLÊNCIA E DISPUTA ENTRE FACÇÕES

Os crimes apresentam características que, segundo a polícia, têm características de envolvimento de organizações criminosas, embora as motivações de cada caso ainda precisem ser esclarecidas pelas investigações.

No Ceará, disputas por territórios, rivalidades entre facções e possíveis acertos de contas estão entre os fatores associados à violência praticada por grupos criminosos.

As organizações chegam a impor julgamentos e punições, assumindo o papel do Estado de julgam, condenam e executam pessoas consideradas adversárias das outras facções, comerciantes que se negam a pagar propina, entre outras modalidades. 

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