O governo federal anunciou nesta quinta-feira (17) um reajuste de pouco mais de 15,04% no Bolsa Família, com pagamentos já previstos para a folha de outubro. A medida, que eleva o piso do benefício de R$ 600 para R$ 691 e o valor médio para R$ 777, ocorre a exatos 17 dias do primeiro turno das eleições presidenciais, em meio ao acirramento da disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL).
O anúncio contrariou o próprio planejamento da equipe econômica. No final de agosto, o Executivo havia enviado ao Congresso Nacional a proposta de Orçamento para 2027 sem contemplar qualquer aumento para o programa social, que historicamente é a principal vitrine do governo petista. Naquela ocasião, a falta de reajuste estava ancorada em justificativas de restrição orçamentária e controle de gastos.
Semanas depois, o cenário foi revertido. A injeção repentina de recursos coincide com a divulgação de levantamentos eleitorais recentes que mostram um avanço da oposição, consolidando um empate técnico em um eventual segundo turno. O reajuste súbito terá um impacto fiscal expressivo de R$ 5,8 bilhões adicionais apenas para o último trimestre de 2026, e um custo extra de R$ 22,7 bilhões previstos para as contas de 2027, elevando o custo total do programa no próximo ano de R$ 157,1 bilhões para cerca de R$ 179 bilhões.
Apesar da aprovação de um gasto bilionário no ápice da campanha e às portas do fechamento do ano, o Palácio do Planalto e o Ministério do Planejamento rechaçam a tese de uso da máquina pública para alavancar a candidatura à reeleição.
O ministro Bruno Moretti negou motivação eleitoral e justificou que a ausência do reajuste no texto orçamentário de agosto ocorreu porque a equipe econômica precisava da "clareza" de que haveria espaço para a despesa. Segundo o governo, a confirmação desse fôlego financeiro só apareceu agora, por meio de dados do relatório trimestral que será detalhado oficialmente apenas no final de setembro. O aumento, de acordo com o Executivo, tem como objetivo recompor a inflação acumulada desde que o programa foi relançado, em março de 2023.
A mudança de rota na reta final do pleito promete desdobramentos jurídicos. Aliados de Flávio Bolsonaro já indicaram que irão acionar a Justiça Eleitoral, que tem como presidente Nunes Marques, para contestar a legalidade da medida, acusando a manobra de configurar interferência direta na disputa presidencial.



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