O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (27) que a economia brasileira está melhor do que a Argentina e classificou o presidente do país vizinho, Javier Milei, de "palhaço".
Durante entrevista para a "Rádio Jornal", de Pernambuco, o ministro afirmou que o risco-país brasileiro está melhor do que o argentino, e que o Brasil está com mínima de desemprego, de inflação, e recordes na balança comercial, assim como safra expressiva e desmatamento em queda.
"O palhaço do presidente da Argentina veio ao Brasil ontem e falou de Brasil, quando o risco-país da Argentina é muito mais alto, a dívida pública é muito mais alta, a inflação é muito mais alta", declarou o ministro da Fazenda.
O risco-país é um indicador que mede a percepção dos investidores sobre a segurança de aplicar dinheiro em um determinado país. Ele reflete a avaliação do mercado sobre a capacidade de uma nação honrar seus compromissos financeiros e manter um ambiente econômico e político estável.
Na prática, quanto menor o risco-país, maior tende a ser a confiança dos investidores e mais fácil costuma ser para o governo e as empresas captar recursos. Já um risco-país mais alto indica maior desconfiança, o que pode elevar os custos de financiamento e afastar investimentos.
Após a declaração, Durigan falou à GloboNews e afirmou que a manifestação dele foi dada de forma autônoma, e não representa uma posição do governo. No entanto, quis se manifestar considerando que as críticas do argentino foram direcionadas à pasta dele.
"Não tem o menor cabimento um presidente de outro país vir aqui, sem comunicação oficial, xingar as autoridades, criticar a política econômica, fazendo dancinha. Não dava pra não responder", afirmou Durigan.
O presidente argentino Javier Milei veio ao Brasil neste fim de semana para participar do lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro, oponente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nas eleições para presidente da República.
Em um discurso inflamado de quase meia hora no sábado (25) em São Paulo, Milei chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de "lixo careca" e criticou o presidente e as suas políticas sociais, ao mencioná-lo como "presidiário".
No fim de 2023, o presidente argentino Javier Milei lançou um rígido plano de austeridade que pôs fim ao déficit fiscal crônico do país e reduziu em cerca de um terço a inflação, que havia atingido patamares de três dígitos. A economia cresceu 4,4% em 2025 e deve se aproximar de 3% neste ano.
Dados oficiais mostram que a inflação somou 31,5% na Argentina em 2025, a mais baixa desde 2017, enquanto o crescimento econômico avançou para 4,4%. No Brasil, a inflação foi de 4,26% no ano passado, com a crescimento desacelerando para uma alta de 2,3% em um cenário de juros altos.
Política de juros
Dario Durigan afirmou que "Não dá pra entrar na onda dessas pessoas que dizem que vai virar apocalipse".
"Não estou dizendo que está tudo resolvido. Juros [altos] que afetam todo mundo, agricultores, famílias, empresas. Eu tenho que pagar juros altos pra rolar a dívida, me incomoda muito", acrescentou.
O ministro avaliou, ainda, que para reduzir os juros brasileiros, é preciso diminuir os gastos obrigatórios, manter a regra para as contas públicas vigente (o chamado "arcabouço fiscal"), ou até mesmo "endurecer um pouco mais" a norma, além de modernizar o Estado.
Ele afastou a possibilidade de recessão na economia brasileira em 2027. "Se fala em recessão porque, como o juro está alto, tende a desacelerar. Nossa projeção é de 2% [de alta do PIB em 2027], mas tem gente falando em 1% [de crescimento]. Não é recessão. Taxa de juros altos tem esse papel, desaquecer a economia. Economia vai desacelerar, mas falar em recessão é um exagero", concluiu.
Javier Milei no Brasil
Durante o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência neste sábado (27), o presidente argentino Javier Milei fez um discurso em espanhol que durou quase meia hora.
Ele chamou Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), de "lixo careca" por ter negado pedido de visita a Jair Bolsonaro.
Milei, que tenta se posicionar como o líder da direita na América Latina, associou a candidatura de Flávio a uma "transformação política em curso" na região.
Segundo ele, países da América Latina estão se alinhando à direita e abandonando a esquerda, movimento ao qual o Brasil pode se juntar com a eventual eleição de Flávio.
A vinda do presidente argentino ao Brasil ocorre em meio à sua baixa popularidade, catapultada por um escândalo recente de corrupção em seu governo e pelas dificuldades econômicas vividas em seu país.


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