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  15:51

Empresária defende mel brasileiro contra novas taxas nos EUA e destaca importância do Piauí, maior exportador nacional do produto

 Foto: Geirlys Silva/ Governo do Piauí

"Eu consumo esse mel todo dia e não sabia que vinha do Brasil".

Essa é uma das frases que a empresária Joelma Lambertucci de Brito ouviu de um dos integrantes do governo americano neste ano, durante um trabalho de lobby para defender a inclusão do mel na lista de isenções da nova rodada de tarifas propostas por Donald Trump.

Em 1º de junho, Trump propôs tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras, após uma investigação sobre diferentes temas, como desmatamento ilegal, pirataria e PIX.

No dia seguinte, ele anunciou taxas adicionais de 12,5% para 60 países por falhas no combate ao trabalho forçado, incluindo o Brasil.

No próximo dia 6, a empresária vai participar de uma audiência pública, em Washington, para defender o produto brasileiro. Há 35 anos no mercado de mel e própolis, Brito comanda a Lambertucci Trade Solution, especializada em facilitar a entrada do mel nacional em outros países.

Nos EUA, ela já participou de reuniões com o Departamento de Agricultura (USDA) e com o próprio Escritório de Comércio dos EUA (USTR), que propôs as tarifas. Nesses encontros, ficou claro para a empresária que o mel não entrou na lista de isenções por um desconhecimento do que o produto brasileiro representa para o mercado americano.

Para se ter uma ideia, cerca de 83% do mel orgânico importado pelos EUA é brasileiro. Considerando apenas o mel convencional, 75% das importações americanas têm origem no Brasil.

"Quando a gente sentou na mesa para negociar, eles não faziam ideia [...]. Eles costumam olhar a marca do mel, mas não olham o país de origem", diz Brito, explicando que essas conversas fizeram parte de uma ação maior liderada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

Segundo a empresária, o desconhecimento acontece porque o setor e o governo brasileiro falharam em divulgar a importância do produto nacional para esse mercado. "Não adianta simplesmente ser o maior fornecedor, você tem que realmente propagar", comenta.

"Todo mundo [nos EUA] sabe que a carne vem do Brasil, que o café vem do Brasil. Porque tem um grupo que faz um lobby muito bom", diz a empresária.

Agora, o setor corre contra o tempo para tentar reverter a medida. Na audiência, além da empresária, importadores de mel americanos também vão defender o produto brasileiro, além da própria Associação Brasileira de Exportadores de Mel (Abemel).

Uma das linhas de defesa será mostrar o tamanho da importação de mel pelos EUA, mas também outros pontos, como:

  • O fato de que não há concorrência com o produtor americano no mel orgânico: enquanto a apicultura americana é voltada principalmente para a polinização e para o mel convencional, o Brasil reúne condições ideais para produzir mel orgânico. Uma delas é a presença de abelhas africanizadas, que são mais resistentes a doenças, o que elimina a necessidade de usar antibióticos e acaricidas.
  • O impacto direto para o consumidor: a imposição de tarifas deve provocar aumento dos preços e até falta de mel orgânico nas prateleiras americanas. Como não há produção doméstica suficiente para suprir a demanda, os consumidores dos EUA seriam os principais prejudicados.
  • A dificuldade de substituição: Brito explica que a conversão de uma área de produção convencional para orgânica exige, no mínimo, um ano de transição. Isso significa que os EUA não conseguiriam substituir o fornecimento brasileiro por outro país em curto prazo.
  • O risco de prejuízos e perda de empregos nos EUA: esse ponto da defesa contará com o depoimento de importadores americanos, que têm maior peso político. Eles devem argumentar que as tarifas vão gerar perda de faturamento nas empresas e cortes de postos de trabalho.

Setor tenta evitar novo prejuízo 

O mel é um dos setores mais atingidos pelos sucessivos tarifaços de Trump desde o ano passado. A medida impactou especialmente os produtores do Piauí, maior exportador brasileiro do produto aos EUA e altamente dependente do mercado americano.

Em 2024, 85% do mel exportado pelo estado foi destinado aos EUA.

Em 2025, o setor chegou a ser sobretaxado em 50% por Trump, o que levou ao cancelamento de centenas de toneladas em vendas e causou perdas financeiras a milhares de famílias de apicultores. No estado, a apicultura é fonte de renda para mais de 40 mil famílias.

Agora, a expectativa é evitar um novo cenário de prejuízos. "Vamos crer que a gente vai conseguir essa isenção", diz a empresária da Lambertucci.

"Mas se a gente não conseguir, vamos continuar nosso trabalho de lobby com os formadores de opinião em Washington. Isso deve ser contínuo para melhorar a rede de apoio ao mel brasileiro", conclui.

 

 

Fonte: G1

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