A Polícia Federal investiga indícios de uso indevido de aeronaves privadas em campanha, suspeita de propina, possível desvio de recursos públicos e articulação eleitoral envolvendo o deputado federal Júnior Mano (PSB) e o cantor Wesley Safadão. Segundo o inquérito, a relação entre o parlamentar e a família do artista, especialmente os irmãos Watila Oliveira da Silva e Edim Oliveira, ex-prefeito de Aracoiaba, teria ultrapassado a cordialidade e evoluído para uma “gestão concreta de interesses”.
O inquérito, com quase 400 páginas, cita como um dos primeiros indícios a suposta cobrança de R$ 200 mil feita por Júnior Mano à empresa BetVip, ligada ao cantor, para um evento em Nova Russas, em 2024.
Em mensagens de WhatsApp anexadas ao processo, o deputado pede ao artista um “patrocínio” de R$ 200 mil para o evento. Para a PF, o diálogo demonstra contato direto entre os dois. A suspeita é que pedidos desse tipo tenham sido usados para camuflar pagamento de propina, com devolução de parte dos valores pagos por prefeituras em shows do cantor.
Entre os contratos citados estão apresentações de Safadão em Nova Russas, com cachê de cerca de R$ 900 mil, e em Morada Nova, onde o valor teria chegado a R$ 1 milhão.
Procurada, a assessoria de Wesley Safadão afirmou que o artista não possui envolvimento político com as pessoas citadas e que a conversa tratava apenas de um pedido de patrocínio comum no setor de eventos.

Uso de aeronaves
Outro ponto investigado envolve um pedido de Júnior Mano ao ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, para liberar duas aeronaves vinculadas ao cantor junto à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). Em mensagem analisada pela PF, o deputado afirma que precisaria das aeronaves com urgência para utilizá-las em campanhas eleitorais.
Agenda de shows e interesses políticos
A investigação também aponta que o parlamentar teria atuado para acelerar a confirmação de datas de shows de Safadão em Nova Russas, cidade administrada por sua esposa, Giordanna Mano (PRD). Em conversa com uma servidora do Serviço Social do Comércio (Sesc), o deputado demonstra preocupação com a possibilidade de a data do artista ser repassada a outro contratante.
Veículo de luxo e indícios patrimoniais
Durante mandados de busca no condomínio onde o deputado morava em Fortaleza, os investigadores encontraram um carro de luxo registrado em nome da empresa YW Administração de Bens LTDA, pertencente a Watila Oliveira da Silva, irmão e gestor da carreira do cantor. O veículo estava estacionado em vaga ligada ao apartamento do parlamentar, o que, segundo a PF, indica vínculo entre as partes e possível ocultação patrimonial.
Direcionamento de recursos
Mensagens entre o deputado e seu assessor Adriano Bezerra também indicariam negociações para a liberação de recursos destinados a obras de asfalto em Aracoiaba, cidade que à época era administrada por Edim Oliveira, irmão de Safadão.
A investigação segue em andamento.



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